Teste de V 1000 - Para que serve ?
Continuando a tentar mostrar a importância dos testes que aplicamos em nossos atletas, surge o V 1000. Esse teste, exige muito atenção do avaliador, pois tem como exigência o melhor desempenho do atleta numa distância de 1000 metros.
Por ser máximo, a prática nos mostra que esse teste de campo quando associado a testes ergométricos ou mesmos ergoespirométricos, tem uma dificuldade maior.
O que acontece, é que nesse teste conseguimos respeitar a especificidade do gesto de correr do atleta, sem interferir em sua biomecânica com aparelhos (como no caso do teste ergoespirométrico com aquele bucal), ou mesmo no teste ergométrico devido ao uso da esteira, que faz um movimento ao contrário do gesto de correr jogando o atleta no sentido contrário ao que ele faz força. Não quero de forma alguma tirar a importância desses testes, pois todos sabemos que uma avaliação só tem sentido se conseguimos demonstrar sua fidedignidade, objetividade e reprodutibilidade. Em ambiente indoor, ou seja, em centros de avaliação, essas possíveis interferências são muito melhores controladas do que em teste de campo, basta pensarmos na temperatura ambiente, umidade relativa do ar, segurança num pronto atendimento, etc.
Coloco isso acima, pois só realizamos esse teste de V 1000 em atletas que já conhecemos anteriormente, e que tenham algum teste anterior mostrando sinal de boa sáude.
Como característica do atleta avaliado notamos ao término do teste uma fadiga central, com grande desconforto, falta de coordenação, cansaço na fala, frequência respiratória alta, F.C. muitas vezes em seu maior pico. O avaliador tem que ter bom preparo para possibilitar uma recuperação ativa imediata, tomando conhecimento do pulso do atleta, e sinais vitais de uma boa recuperação.
Fazemos o teste monitorado por um frequencímetro o tempo todo, acompanhamos o ritmo empregado pelo atleta dando vozes de comando para "motivar" o mesmo a desempenhar o seu máximo. Usamos como estratégia, muitas vezes testes em duplas com desempenhos parecidos, afim de estimular uma maior competitividade e consequentemente um melhor resultado.
Como procedimento desse teste, anotamos a F.C. de repouso, a F.C média do intervalo de 1000 metros e a F.C. de recuperação (tempo que demora para a F.C. atingir 120 batimentos por minuto).
Através do resultado do atleta nesse melhor 1000, temos como parâmetros escalonar treinos de qualidade ("tiros"), de usar muito provavelmente a F.C. Máxima "achada" nesse resultado, de visualizar qual a treinabilidade do atleta para determinadas distâncias, e de ter futuras comparações na variável velocidade e no comportamento de tolerância a acidose , pois esse teste utiliza o metabolismo aeróbio e em grande parte o metabolismo anaeróbio lático.
Quando cruzamos esse resultado com a última parcial do teste de V 3000, percebemos o quanto o atleta tende a se distanciar desse resultado, ou seja, se tem característica de velocidade ou de resistência.
Outro fator importante é percebermos a média de 1000 metros numa prova de fundo ( tais como 10 km ), e como podemos aproximar essa média desse melhor resultado de 1000 metros.
Atento a todos, que avaliação é algo sério e que deve ser feito com critério, para possíveis comparações no futuro.
Dessa forma, não basta apenas fazer esse teste fora de planejamento, ou melhor, fora de uma periodização adequada, pois perderá a importância se não trabalharmos com esses dados.
Enfatizo que a época da avaliação deve ser colocada como uma fase importante do planejamento, com periodicidade de tempo que possibilite trabalhar com a melhora dessas variáveis para serem comparadas numa futura reavaliação.
Esses dados ajudam significativamente o técnico a adequar melhor as cargas de treino, e planejar uma estratégia adequada de ritmo para a competição alvo.
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